Estamos de volta
June 27th, 2008
Após um breve hiato, volta ao ar o blog menos lido da região. Obrigado!

Após um breve hiato, volta ao ar o blog menos lido da região. Obrigado!
O vídeo acima responde todas as dúvidas sobre o processo e as motivações, para quem ainda não tiver entendido!
Esses dias eu postei lá no BR-Linux o link e alguns trechos de um manifesto do qual eu discordo em sua maior parte, contendo algumas generalizações que me ofenderiam pessoalmente se nesses casos eu não preferisse a abordagem do Casablanca, daquele diálogo entre o vendedor de vistos de saída e Rick Blaine. Mas não é por discordar que eu deixo de dar espaço pro autor, e pra quem quiser discutir.
A coisa meio que tomou um corpo, foi debatida aqui e ali, e acabou gerando um outro pequeno texto meu, falando (bem por alto) sobre a relação entre modelos de negócio, planos de negócio, e a perspectiva de quem pensa em viver de software livre, meio sob uma ótica clintoniana - mas bem superficialmente - demanda, incentivos, essas coisas.
E agora vou pedir licença pra falar um pouco mais sobre isso, sem compromisso de ser completo, conclusivo ou objetivo. Mas podia ser pior: eu poderia estar falando sobre o paredão do BBB…
O que eu não disse no meu segundo texto, ao falar sobre alguns modelos que têm funcionado, é que tem alguns que dificilmente funcionam. É preciso ser muito bom (mais ou menos no nível dos magos e ilusionistas, mas há exceções) para conseguir sucesso continuado em um empreendimento (ético e legal) sem ter uma boa proposta de valor, uma fonte bem definida de receita, um plano de crescimento e, se possível, alguma vantagem competitiva. Mesmo assim, todos os dias tem alguém que tenta, seja com software livre ou não. Muitos falham, e não são apenas os empreendedores individuais - como aquela série que o LWN vem publicando com a retrospectiva dos últimos 10 anos vem ilustrando muito bem.
Já no que diz respeito ao sucesso sob uma perspectiva comunitária, o cidadão precisa ter um produto ou serviço que atraia o público interessado em acompanhar e contribuir, precisa dar a oportunidade para que esta contribuição ocorra, e precisa também que exista algum estímulo (provido por ele mesmo ou por algum fator externo) para que estes eventuais interessados escolham contribuir para este projeto especificamente, e não para vários outros com tantos ou mais méritos quanto.
E mesmo quando o cara reúne tudo isso, ele ainda tem que ter sorte e vento a favor - seja no Brasil ou no exterior. Até porque me parece que a absoluta maioria das pessoas que se consideram parte da comunidade (aqui ou no exterior) não oferece contribuições para nenhum projeto livre. Não que elas devessem: é normal e natural ser apenas usuário (e eventualmente atuar divulgando ou debatendo alguma coisa na ausência dos desenvolvedores ou diretamente envolvidos e interessados). As pessoas que dão um passo a mais são a valiosa e escassa exceção.

Generalizar dizendo que ninguém contribui é injusto. Conheço até bastante gente aqui no Brasil, ou do Brasil, que contribui de forma efetiva com o código aberto, e vários outros que já contribuíram e acabaram parando. Alguns ganham a vida com isso, outros incluem isso como parte do seu sustento, e outros não se importam. Poucos deles tomam como base um projeto individual e independente, modelo complicado de fazer decolar e de manter no ar. A maioria dos que eu me lembrei agora, em uma rápida contagem, não atua como empreendedor. Precisam também de um modelo, de diferencial, de receita, etc., mas aí é no mercado de trabalho em que atuam, algo bem mais simples e bem diferente das necessidades de um empreendedor (plano de negócios, etc.) mencionadas acima. Não que um plano de carreira estruturado desta forma atrapalhe quem tem condições de tocá-lo
Curiosamente, eu percebo nesses que ganham a vida com o código aberto várias características em comum, que ajudam seus respectivos modelos pessoais a funcionar. E aquela fé cega, de quem viu a luz e escolheu um profeta para determinar o seu destino tecnológico, não costuma ser uma dessas características - o que não impede muitos deles de manterem dentro de si acesa alguma chama ideológica, em maior ou menor grau, às vezes bem forte.
De uma forma ou de outra, eu gostaria de um dia escrever sobre esse pessoal que ganha a vida - empregado, freela ou empreendendo - com código aberto no Brasil. O chato é que são todos bem ocupados, e não lembro de nenhum que goste desse tipo de papo brabo sobre si mesmo. E tenho a impressão de que nenhum falaria nada de surpreendente, nada muito além de “eu identifiquei uma demanda que envolvia o software livre, me preparei para atendê-la, e depois encontrei alguém disposto a me pagar para isso” - variando a forma: contínua, assalariada, empreendedora, freelance, morando na beira da praia no Sul do Brasil, em um laboratório no nordeste, em uma multinacional, ou em outro lugar. Programando, dando curso, prestando suporte, escrevendo, falando com clientes malas, e muito mais. Tem também os que ganham a vida usando ou administrando software livre, mas é uma categoria à parte. E, obviamente, tem os que contribuem sem interesse de ganhar a vida com isso, por razões variadas - sempre bem-vindos.
Um dia ainda entrevisto alguns deles sobre isso
Por enquanto, minha conclusão é de que é mais do mesmo. E o que funciona pra uns, não funciona pra outros, e vice-versa. Conclusão ampla né? E vamos em frente.
Desejo a todos os amigos um excelente 2008 levado a sério! Com link pro vídeo do Christopher Walken ao som do Fatboy Slim pra quem estiver lendo via RSS ![]()
Sempre em foco, Stelmann mostrou neste sábado, no Rio, que tem muito samba no pé para enfrentar o desafio de reinar na bateria da Renascer de Jacarepaguá.
Durante feijoada da escola de samba, que pertence ao grupo de acesso, Stellman, trajando um curtíssimo shorts vermelho, sambou à frente dos ritmistas e exibiu sua excelente forma física.
Stellman mostrou empolgação ao cantar o samba da agremiação, e chegou a tentar aprender a tocar tamborim com um dos ritmistas da escola.
Mais detalhes e fotos na matéria do Terra.
Você às vezes muda a escolha de palavras ou de atitudes porque sabe que há extremistas em eterna vigilância sobre o seu vocabulário? Eu às vezes me percebo nessa situação (quando percebo, muitas vezes decido a tempo por desfazer a auto-censura voluntária), e em outras eu acabo me submetendo, até mesmo por concordar com os argumentos - foi isso que me levou a reescrever meu título, tirando o substantivo que eu tinha escolhido originalmente e substituindo pela palavra “extremista”, muito mais politicamente correta.
Mas vamos ao assunto. A notícia ilustrando o mau humor, ou pelo menos ausência de capacidade de encarar com leveza de espírito quem não compartilha do seu posicionamento, vem do portal da Globo: “‘Caveirão’ em corrida de rolimã na USP causa polêmica.

Será que estava faltando assunto para polêmicas nesses grupos? Vamos a um trecho: “A participação de um carrinho de rolimã estilizado como um “Caveirão”, o blindado utilizado pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da polícia do Rio de Janeiro, em uma corrida de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) provocou indignação e motivou críticas de integrantes de movimentos de defesa dos direitos humanos no Rio de Janeiro.”
Não sou nenhum nacional-socialista e passaria longe de qualquer reunião moderna do NSDAP na minha cidade natal, mas para mim a caracterização de um carrinho de rolimã como o (talvez tristemente) famoso veículo oficial da polícia em um evento festivo é bem mais criativa do que as tradicionais fantasias de carro de bombeiro, ambulância, rabecão ou carro de fórmula 1.
Mas há quem consiga enxergar no ato razão para indignação, apontando como sintoma de alienação dos participantes em relação a um genocídio que vem ocorrendo em determinadas regiões. Mais um trecho: “”É lamentável. A gente até entende porque essas pessoas que participam dessa brincadeira são de classe média e têm esse senso de que a PM está cumprindo a tarefa de manutenção da ordem vigente. São jovens de classe média que não têm noção do que acontece. A gente sabe que efetivamente o que há é a criminalização da pobreza”, diz a advogada Lidiane Penha, integrante do movimento “Direito para quem?” e uma das participantes da campanha “Caveirão não”. ”
O próximo passo é algum velho hippie internacional proclamar seu apoio ao movimento e cancelar alguma vinda ao Brasil em protesto.
Tive um sonho estranho, de futuro distópico, aparentemente sem mensagem oculta. Era como se eu estivesse assistindo a um documentário que se passava aproximadamente em 2050, em um país oriental, mas buscava justificar mudanças que estavam acontecendo por aqui também. Era uma coisa bem diurna, mas extremamente poluída e suja - não sombria.
O esquema todo era que havia acontecido um colapso generalizado da economia, e não era mais possível pensar em promover o livre emprego ou sustentar a população como um todo. O Estado não interveio diretamente, mas sim legalizou que a iniciativa privada, organizada como microempresas, fizesse o que fosse necessário.
Assim, a população foi dividida em blocos, havendo classes privilegiadas (podiam circular, produzir e consumir à vontade), classes restritas (identificadas por tatuagens no rosto, podiam circular, produzir e consumir apenas em determinados horários ou dias da semana) e as classes deixadas de fora, passadas a ser consideradas fora da proteção do Estado, e sem o status de seres humanos - incluindo todos os que estivessem cumprindo penas, as pessoas que estivessem sem documentos, os estrangeiros que estivessem no país sem visto e as pessoas das classes restritas que fossem pegas circulando, produzindo ou consumindo economicamente fora do seu horário.
O mais bizarro é que a iniciativa privada recebeu a autorização de explorar economicamente estas classes “inumanas”, empregando-as como trabalhadores escravos (em condições terríveis, pouca alimentação, trabalho até a morte), como fontes de doação (comercial) de órgãos em verdadeiras “fazendas de tecidos”, e com os respectivos comércios de insumos: caçadores e distribuidores de escravos e de doadores de órgãos.
Distópico, eu sei. Boa semana!

Patrulha nada, que patrulha o que? Quem quiser postar sobre o estrondoso crescimento da Wikipédia em Volapük tem, desde já, o meu beneplácito e garanto o salvo-conduto em nome do clã dos sem-terra.
O Volapük, aliás, é um fenômeno interessantíssimo entre os idiomas que já nasceram mortos mas mesmo assim arregimentam grande legião de seguidores que pregam a sua superioridade, em uma visão de nicho que encontra paralelo em outras comunidades extremamente otimistas que já conheci, mas não em muitas.
Seu criador, o padre Johann Martin Schleyer, criou o idioma inteirinho em 1880, e foi um grande sucesso, e já em 1889 houve uma Conferência Internacional de Volapük, falada totalmente neste idioma, em Paris. Foi a terceira convenção internacional, e nas duas primeiras os trabalhos foram realizados em alemão. Realizar a conferência no próprio idioma é um marco similar ao que hoje encontramos quando passa a ser possível compilar nele mesmo o próprio compilador de uma linguagem, em uma dada plataforma. Mas exige uma quantidade maior de nerds.
O idioma foi criado após um sonho em que o padre Schleyer acreditou que o próprio Deus o estava instruindo a criar um idioma internacional, e menos de 10 anos depois havia 283 clubes, 25 periódicos e 316 livros em ou sobre o Volapük.
Segundo a wikipedia em inglês, hoje há apenas cerca de 30 pessoas capazes de falar Volapük, em todo o mundo. Mas eu tenho quase certeza que isso é mentira, é coisa dos ianques opressores, imperialistas estadunidenses que não aceitam reconhecer o crescimento de um idioma verdadeiramente livre e capaz de desbancá-los ainda nos próximos 300 anos.
O líder do movimento Volapük, após passar um período de renovação na pujante península separada da Europa pelos Pirineus, está de volta ao Brasil para coordenar os esforços pelo desenvolvimento sem limites, a partir de nova base no Planalto Central, coração do mundo, pátria do futuro!
E o resto? O resto é lambretagem.

Sensacional a notícia do Valencia Sailing: Submarine disrupts the Vuelta España a Vela. Me dá a impressão de saber quem ajudou a planejar a regata, ou a rota do submarino.
Essa é de quando você era novo. (link para os amigos que lêem via feed ou planets)