Backlog do BR-Linux

November 6th, 2008

Uma tendência que eu já havia observado há 6 meses e há 12 meses se repetiu: o lançamento de uma nova versão do Ubuntu acaba influenciando a pauta da imprensa tecnicamente inclinada, tanto aqui quanto lá fora, e o código aberto pulula em um sem fim de matérias nos 10 dias seguintes.

Dessa vez o fenômeno foi um pouco mais intenso, e o resultado foi um acúmulo incrível de notícias aprovadas mas ainda não postadas no BR-Linux. Ontem de noite eu cheguei a ter uma fila de inacreditáveis (para mim, considerando o histórico) 50 posts prontos a ir ao ar, aguardando apenas eu definir data e horário. Considerando que em um dia normal eu publico 14 a 16 posts por lá, isso significa que eu tinha uma gaveta lotada com posts para 3 dias.

O usual é eu fechar cada dia com apenas 8 a 10 posts prontos a ir ao ar no dia seguinte, e ter de me virar para fechar a “pauta”. Em semanas especialmente tranquilas para mim, eu chego a acumular uns 20 posts para ir liberando aos poucos (privilegiando sempre os que têm assuntos que “vencem”) e gerenciar minha necessidade de escrever mais.

Os 50 posts acumulados de ontem mostram que a visibilidade do código aberto hoje é bem diferente do que era há poucos anos. Não necessariamente isso é bom, ou ruim - muitas das matérias são pobres, erradas, repetitivas ou negativas. Em especial, isso não significa que agora o código aberto é pop, nem que o ano que vem será o ano do Linux no desktop.

Aliás, segundo o calendário maia, o ano do Linux no desktop é 2013.

Se ema é bicho, emo é…

July 24th, 2008

Nova lei pode proibir emos na Rússia - Medidas visam regular sites dedicados ao gênero e roupas nas escolas. ‘Expressar emoções não é proibido por lei’, rebate vocalista de banda russa.

Uma nova lei pode proibir emos na Rússia. As regras, que ainda estão sendo formuladas, podem banir sites dedicados ao gênero e até o modo de se vestir nas escolas e em prédios do governo. Aparentemente, essas medidas estão sendo tomadas por medo de que “modismos adolescentes perigosos” induzam à depressão e ao suicídio.

Ah se a Mariana descobre! Mais detalhes no G1 e na desciclopédia. Mas não clique em nenhum link de lá, prejudica bastante a produtividade.

Leveza de pensamentos

July 21st, 2008

(repost em homenagem à reativação da Poeira Cósmica - este texto foi publicado originalmente em 15 de novembro de 2005)

Eu tenho andado bastante ocupado, e a prática da levitação acabou ficando em segundo plano. Mas hoje, feriado, ao perceber que não teria alternativa senão fazer o degelo do congelador que vinha sendo adiado há uns 45 dias (a porta nem fechava mais…), acabei ganhando 2h para praticar um pouco enquanto o gelo gotejava. Peguei a câmera e fixei para tirar fotos automaticamente a cada 3 minutos, folheei os livros radiantes para alcançar o nível de iluminação necessário, e comecei.

Fiz um total de 3 sessões, e nas 3 consegui alcançar quase 90cm em relação ao tapete, bem mais do que na vez anterior que tentei (as fotos da vez anterior também estão publicadas aqui, em algum lugar). Desta vez publiquei também uma foto na resolução original da câmera, porque todo mundo vive me pedindo isso. Não entendo por que.

Na foto abaixo, note como o Zi fica todo “eletrizado” quando passa por baixo. A levitação com a técnica Wilber dissipa muita energia no ambiente, dá de medir com um multímetro. Ou com um felino…

As duas fotos abaixo são da mesma sessão. Já estou conseguindo movimentar os braços e acompanhar o movimento com o olhar, sem levar mais tombos. Mas não consigo mover ou elevar os objetos ainda, preciso praticar mais o método Mark Hamill.

Fechando a seqüência, uma foto minha praticando para o teste dos punhais de cristal. Não tenho nem punhais e nem cristais em casa, mas se eu caísse ia quebrar várias taças e desperdiçar 3 garrafas de cerveja que estavam geladinhas ;-)

Levitar é fácil e está ao alcance de todos. Tudo o que você precisa é de leveza de pensamentos, o nível certo de iluminação e um pouco de técnica. Se você tiver interesse em aprender a levitar e receber uma publicação sobre o assunto, não mande um e-mail para nutsΘbr-linux.org. Shazam!

Veja também:

Concurso que tinha todas as alternativas corretas na letra ‘a’ é anulado

July 18th, 2008

A Justiça Federal suspendeu de forma provisória, para evitar a divulgação da lista de aprovados, o concurso da Escola Agrotécnica Federal, na cidade de Belo Jardim (PE), a 180 km do Recife, atendendo a pedido do Ministério Público Federal de Pernambuco (MPF/PE). Dois dias após a divulgação do gabarito, um candidato procurou o MPF/PE denunciando que a resposta certa para todas as questões era a letra “a”.


Eles não passariam

O mais legal é a explicação:

A iniciativa de definir o gabarito dessa forma partiu da comissão responsável pelo concurso. “A comissão achou que com essas alternativas a gente poderia avaliar a segurança do candidato. Mais para frente, nós percebemos que não foi a forma mais correta de proceder”, reconheceu o presidente da comissão.

Via G1.

Vôos em balões não precisam ser executados de forma estúpida

July 7th, 2008

Recentemente um padre parananense exibido tentou realizar um vôo amarrado a um montão de balões de festa, em um dia de mau tempo, sem saber usar o equipamento que levava “a bordo” e que em última análise poderia ter viabilizado a chegada a tempo do resgate que daria um final diferente à sua trágica estupidez.

Pensei em fazer o trabalho final da minha pós em Gerenciamento de Projetos estudando este caso, e ainda não desisti, embora o esforço demandado pelo rigor científico necessário esteja me afastando - basear-se apenas nos relatos da imprensa me parece insuficiente, e certamente consigo encontrar algum caso mais simples de estudar.

Mas a existência de casos bem-sucedidos para comparar me faz continuar com esta idéia na cabeça. A foto acima é do recente vôo de Kent Couch, dono de um posto de gasolina, que foi do Oregon até Idaho - pouco mais de 300 km sobre o deserto.

Foi o terceiro vôo deste tipo que o Couch já fez, e neste ele levou 3 tanques de lastro líquido, que ele esvaziava aos poucos quando queria subir, uma vara com gancho, uma espingarda de pressão e uma pistola de dardos (pra atirar em balões para descer um pouco ou mesmo pousar), e mais um suprimento de ovos cozidos, carne seca e chocolate.

E ele também não descuidou da segurança e dos equipamentos de bordo: um pára-quedas (não utilizado), um GPS com altímetro, um fone via satélite e 2 rastreadores GPS - um preso nele, e o outro na cadeira de jardim em que ele voou.

E ele não foi o primeiro a sobreviver a esta idéia amalucada: em 1982 Larry Walters voou a 16.000 pés, tendo sido avistado por múltiplos aviões comerciais. A aterrissagem dele não foi tão bem-sucedida, e ele teve que pagar uma multa de US$ 1500, mas saiu andando.

A conclusão? Tem várias possíveis, mas a que me vêm à cabeça mais freqüentemente é que não é porque a idéia em si parece estúpida que o projeto e a execução também precisam ser.

Teoria da dependência atropela o BR-Linux

July 3rd, 2008

Uma borboleta bate as asas em Pequim, um filhote de foca espirra no ártico, um estagiário da Telefonica aperta a tecla errada em Baurü, e o estado de SP fica parcialmente fora da Internet por mais de 24h, levando consigo o BR-Linux.


O core router da Telefonica que queimou

Muito se discutiu e se debateu, mas apenas uma coisa está comprovada: um estagiário levará a culpa. E eu tenho certeza de que foi em Baurü, igual o apagão de 1999.

Estamos de volta

June 27th, 2008

Após um breve hiato, volta ao ar o blog menos lido da região. Obrigado!

Vídeo de 3 minutos explica o processo de análise do MS OOXML na ISO

March 21st, 2008

O vídeo acima responde todas as dúvidas sobre o processo e as motivações, para quem ainda não tiver entendido!

Ganhar a vida com software livre

January 28th, 2008

Esses dias eu postei lá no BR-Linux o link e alguns trechos de um manifesto do qual eu discordo em sua maior parte, contendo algumas generalizações que me ofenderiam pessoalmente se nesses casos eu não preferisse a abordagem do Casablanca, daquele diálogo entre o vendedor de vistos de saída e Rick Blaine. Mas não é por discordar que eu deixo de dar espaço pro autor, e pra quem quiser discutir.

A coisa meio que tomou um corpo, foi debatida aqui e ali, e acabou gerando um outro pequeno texto meu, falando (bem por alto) sobre a relação entre modelos de negócio, planos de negócio, e a perspectiva de quem pensa em viver de software livre, meio sob uma ótica clintoniana - mas bem superficialmente - demanda, incentivos, essas coisas.

E agora vou pedir licença pra falar um pouco mais sobre isso, sem compromisso de ser completo, conclusivo ou objetivo. Mas podia ser pior: eu poderia estar falando sobre o paredão do BBB…

O que eu não disse no meu segundo texto, ao falar sobre alguns modelos que têm funcionado, é que tem alguns que dificilmente funcionam. É preciso ser muito bom (mais ou menos no nível dos magos e ilusionistas, mas há exceções) para conseguir sucesso continuado em um empreendimento (ético e legal) sem ter uma boa proposta de valor, uma fonte bem definida de receita, um plano de crescimento e, se possível, alguma vantagem competitiva. Mesmo assim, todos os dias tem alguém que tenta, seja com software livre ou não. Muitos falham, e não são apenas os empreendedores individuais - como aquela série que o LWN vem publicando com a retrospectiva dos últimos 10 anos vem ilustrando muito bem.

Já no que diz respeito ao sucesso sob uma perspectiva comunitária, o cidadão precisa ter um produto ou serviço que atraia o público interessado em acompanhar e contribuir, precisa dar a oportunidade para que esta contribuição ocorra, e precisa também que exista algum estímulo (provido por ele mesmo ou por algum fator externo) para que estes eventuais interessados escolham contribuir para este projeto especificamente, e não para vários outros com tantos ou mais méritos quanto.

E mesmo quando o cara reúne tudo isso, ele ainda tem que ter sorte e vento a favor - seja no Brasil ou no exterior. Até porque me parece que a absoluta maioria das pessoas que se consideram parte da comunidade (aqui ou no exterior) não oferece contribuições para nenhum projeto livre. Não que elas devessem: é normal e natural ser apenas usuário (e eventualmente atuar divulgando ou debatendo alguma coisa na ausência dos desenvolvedores ou diretamente envolvidos e interessados). As pessoas que dão um passo a mais são a valiosa e escassa exceção.

Generalizar dizendo que ninguém contribui é injusto. Conheço até bastante gente aqui no Brasil, ou do Brasil, que contribui de forma efetiva com o código aberto, e vários outros que já contribuíram e acabaram parando. Alguns ganham a vida com isso, outros incluem isso como parte do seu sustento, e outros não se importam. Poucos deles tomam como base um projeto individual e independente, modelo complicado de fazer decolar e de manter no ar. A maioria dos que eu me lembrei agora, em uma rápida contagem, não atua como empreendedor. Precisam também de um modelo, de diferencial, de receita, etc., mas aí é no mercado de trabalho em que atuam, algo bem mais simples e bem diferente das necessidades de um empreendedor (plano de negócios, etc.) mencionadas acima. Não que um plano de carreira estruturado desta forma atrapalhe quem tem condições de tocá-lo ;-)

Curiosamente, eu percebo nesses que ganham a vida com o código aberto várias características em comum, que ajudam seus respectivos modelos pessoais a funcionar. E aquela fé cega, de quem viu a luz e escolheu um profeta para determinar o seu destino tecnológico, não costuma ser uma dessas características - o que não impede muitos deles de manterem dentro de si acesa alguma chama ideológica, em maior ou menor grau, às vezes bem forte.

De uma forma ou de outra, eu gostaria de um dia escrever sobre esse pessoal que ganha a vida - empregado, freela ou empreendendo - com código aberto no Brasil. O chato é que são todos bem ocupados, e não lembro de nenhum que goste desse tipo de papo brabo sobre si mesmo. E tenho a impressão de que nenhum falaria nada de surpreendente, nada muito além de “eu identifiquei uma demanda que envolvia o software livre, me preparei para atendê-la, e depois encontrei alguém disposto a me pagar para isso” - variando a forma: contínua, assalariada, empreendedora, freelance, morando na beira da praia no Sul do Brasil, em um laboratório no nordeste, em uma multinacional, ou em outro lugar. Programando, dando curso, prestando suporte, escrevendo, falando com clientes malas, e muito mais. Tem também os que ganham a vida usando ou administrando software livre, mas é uma categoria à parte. E, obviamente, tem os que contribuem sem interesse de ganhar a vida com isso, por razões variadas - sempre bem-vindos.

Um dia ainda entrevisto alguns deles sobre isso ;-) Por enquanto, minha conclusão é de que é mais do mesmo. E o que funciona pra uns, não funciona pra outros, e vice-versa. Conclusão ampla né? E vamos em frente.

I need more cow bell

December 30th, 2007

Desejo a todos os amigos um excelente 2008 levado a sério! Com link pro vídeo do Christopher Walken ao som do Fatboy Slim pra quem estiver lendo via RSS ;-)