Lembre-se: Minimalismo também pode ser a riqueza da abundância frugal

O decrescimento (em inglês, degrowth) defende a redução planejada da produção e do consumo, visando o bem-estar e a sustentabilidade.

Praticadas com consciência, essas ideias viram propostas de política social que demanda planejamento e equilíbrio.

E mesmo quando implementadas apenas com foco na vida pessoal – por exemplo, adotando o minimalismo para organização doméstica ou financeira –, trazem frutos positivos para quem pratica e, cumulativamente, para a sociedade.


foto de um vaso transparente com uma pequena folhagem, sobre fundo branco

Para quem tem uma abordagem mais focada em consumo e acumulação, a reação típica ao minimalismo e ao decrescimento é de uma rejeição automática motivada por desejos, memórias ou ideais acostumados, ao longo de toda uma vida, a associarem esse tema a alguns conceitos realmente indesejados1, como escassez, empobrecimento, restrições, contenção, desconforto e até mesmo recessão.

A questão central, como de costume, é de ponto de equilíbrio: como balancear as intenções, as disponibilidades e as demandas?

Como equilibrar intenções, disponibilidades e demandas?

Observando as pessoas que praticam com sucesso o minimalismo no âmbito pessoal e familiar, é frequente notar que os resultados incluem os ganhos da simplicidade e do espaço disponível, e que esse hábito frequentemente vem associado a experiências em que há abundância, prosperidade e riqueza.

Indo um pouco mais a fundo, é necessário sublinhar que os termos “prosperidade”, “riqueza” e “abundância” nem sempre se referiram a elevados níveis de consumo e acumulação. A sensação mais geral de desenvolvimento e satisfação ainda acontece (em parte, para muitos), em âmbitos subjetivos: moralidade, liberdade, tempo, organização, suficiência, resiliência e mais.

Pela via oposta, é fácil perceber quantos indivíduos conectados diretamente à ciranda do mercado estão constantemente insatisfeitos com o que têm e com o que consomem. Muitos também não conseguem alcançar os já mencionados aspectos imateriais da abundância, o que – no acumulado das experiências individuais – contribui para elevados níveis de problemas de saúde mental e de solidão, por exemplo.

A alternativa funciona

É aí que entram as ideias de abundância frugal, como o minimalismo e o decrescimento: elas dissociam o ritmo da vida das pessoas, em relação ao ciclo contínuo do mercado, que ano após ano quer nos vender de novo a moda, o smartphone e o carro mais recentes.

Alcançar objetivos dessa categoria, para quem se sente conectado aos estímulos do consumo, raramente é fácil. Mas considerar essa intenção como desejável, positiva, e até mesmo confortável, é um requisito inicial que remove boa parte dos obstáculos de natureza interma.

Ao associar objetivamente o decrescimento à abundância, o projeto pessoal de alcançá-lo se torna mais palatável, desejável e, em última análise, alcançável.

 
  1.  Mesmo quando inevitáveis ou fáticos…